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Mensagem do Diretor

CADERNO DE APONTAMENTOS - 3 de março 2017

Vivemos tempos conturbados. A nível mundial o furacão Trump arrasa, pela veemência das suas decisões, as frágeis democracias europeias, parece que envergonhadas pela inesperada rudeza do discurso e dos objetivos. O reforço do orçamento americano em armamento, já de si o maior deste Mundo, é premonitório de uma América mais fechada em si mesmo e inequivocamente com uma sensibilidade beligerante. O discurso de aproximação a Putin não parece mais que os primeiros momentos de um braço de ferro, em que os adversários medem forças. A China, silenciosa, vai escondendo atrás das suas muralhas o papel de outsider que tem neste momento, ao mesmo tempo que invade o Mundo de uma quinquilharia que alimenta uma sôfrega e milionária economia. A saída do Reino Unido da União Europeia, foi como que uma fuga para a frente, deixando para trás uma Europa de lideranças envergonhadas, aproximando-se decididamente do seu parceiro preferido, os Estados Unidos. Outros países se seguirão. A Europa é frouxa a lidar com o terrorismo, em todas as suas formas, parecendo ter vergonha, ou medo, de assumir decisões cruas e incisivas, ao estilo do líder americano. E o seu estilo vai granjeando simpatias, especialmente nas bases, aquelas que hoje os políticos classificam de populistas. Acredito que nada ficará como dantes…

No nosso pequeno burgo, uma união das esquerdas, levou ao poder um líder que contorna excecionalmente as situações que lhe são desfavoráveis, apoiado por um Presidente, que falando demais, vai dando um brilho especial a todas as pequenas conquistas. Fica-nos a sensação que aquela malta do Passos era mesmo má e que nos quis castigar até à exaustão. Retrocederam privatizações, aumentaram-se ordenados, voltaram os feriados. Somos mais felizes, admito que sempre mais pobres, tal a dimensão da roubalheira que diariamente nos é anunciada. 

Pela nossa terra, as notícias que nos chegam avolumam problemas graves e colocam-nos perante cenários de constante incerteza. Não existe uma verdade absoluta, existem múltiplas versões, da verdade e da mentira. Vivemos um tempo em que um ensurdecedor silêncio vai alimentando, “à boca pequena”, estórias diferentes de uma mesma realidade. Importa medir as palavras e os atos, num momento em que o principal partido da oposição parece ter entrado em campanha. Naturalmente legítima…

E tudo isto porque uma Escola nunca pode ser uma entidade anódina, em que a multiplicidade das opiniões se esconde num sentido medroso de imparcialidade. Uma Escola deve saber viver, em si mesma, com a diversidade dos atores e das opiniões, todos ouvir, com todos debater e se possível com todos aprender.

 

Francisco Vieira
Diretor Executivo

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