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Eu ainda sou do tempo

Há uns anos a esta parte, uns bons anos, havia uma célebre publicidade onde uma senhora, com uma idade respeitosa, começa a frase com a expressão “Eu ainda sou do tempo…”. Pois bem, hoje, uns anos mais tarde e embora não considerando a minha idade suficientemente respeitosa como a da senhora, olho para trás e sinto também muitas mudanças.

Umas serão inevitáveis, face ao normal desenrolar e evoluir da tecnologia, conhecimento, entre outros. Outros, porém, causam-me alguma estranheza. Refirmo-me a alguns ligados à educação. Se, no meu tempo, uma licenciatura abria, francamente, as portas do mercado de trabalho, hoje esse cenário não é tão linear. Se juntarmos a este novo paradigma, toda a situação económico-financeira da atual conjetura social, então quantas empresas não apostarão em jovens recém-formados, oriundos do ensino profissional, em desfavor dos licenciados em áreas afins. Não quero ser mal interpretado, pois não estou a dizer que um jovem técnico de nível IV terá mais qualificações do que um jovem licenciado, nem quero desprestigiar o ensino superior, de igual forma. É apenas uma constatação.

Para mim, enquanto responsável pedagógico por esta escola profissional, é também uma motivação extra bem como uma responsabilidade acrescida. Compreendo o quanto o nosso país, talvez mais do que nunca, está a precisar destes técnicos, jovens qualificados aptos a ingressar num mercado de trabalho em constante mutação e muito competitivo. E, como tal, temos a responsabilidade, enquanto escola, de tentar promover um ensino de qualidade, exigente e, sobretudo, muito realista com as reais necessidades do atual mercado de trabalho. Não iremos formar para o desemprego! Numa época onde as ofertas formativas para o próximo ano letivo estão a ser alvo de avaliação interna, esses são alguns dos compromissos de que não iremos abdicar.

José Luis Pegada

Diretor Pedagógico da EPO

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