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Impõe-se: ser professor empreendedor

Artigo de opinião - INFORMAR 3 março 2017

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, recentemente, que a economia nacional precisa de crescer “é o grande desafio nacional dos próximos anos”. “Precisamos crescer na formação qualificada, mas para termos formação qualificada precisamos de investir e para isso temos de crescer. Nós precisamos, para crescer, de formar muito melhor os nossos melhores. Precisamos ir mais longe porque os outros vão mais longe todos os dias. Neste particular não há empates. Empatar é perder”, frisou. Mas, como se preparam profissionais para empregos que ainda não existem? Como ser empreendedor numa sociedade que tanto mudou, mas cujo sistema de ensino permanece desapropriado, afinal… o mundo mudou tanto e a escola tão pouco!

Não é a primeira vez que que o ouvimos falar de empreendedorismo associado à temática da formação. É sabido que vivemos numa época em que nos esperam novas relações “com” e “no” trabalho e a ideia é também formatar os alunos para esta insegurança e permanente risco que parecem ser características do mercado de trabalho atual, mas também transmitir a certeza de que na gestão desta instabilidade tem de estar o valor profissional/talento e isso cada vez mais estará sujeito às leis do mercado. Qual é afinal o propósito do ensino profissional? Não será transformar recursos humanos em capital humano? Profissionais capazes de intervir no mundo com competências, saber-fazer e com potencial para a excelência? Através da prática, pode estar nas nossas mãos decidir que tipo de profissionais queremos formar. Do tipo “não sei o que está a acontecer” – pessoas que não se importam, não querem saber, que se limitam a ficar à espera que as coisas lhes caiam nas mãos; do tipo “observam o que está a acontecer”- olham de fora, com desconfiança, mas não intervêm, é uma forma de se desresponsabilizarem pelo futuro, ou do tipo “fazem acontecer”, pessoas que se dão num contributo construtivo, provocam mudança e que se implicam nessa mudança? Aos professores e formadores impõe-se, hoje, ser empreendedor para formar empreendedores, isso requer iniciativa e ação, seremos empreendedores quando empregarmos as próprias competências e conhecimentos para criar um “instrumento” de transformação pessoal e profissional.

 

Célia Vieira

Docente da EHF

 

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