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A importância da comunicação virtual

TEXTOS DE VERÃO
"A importância da comunicação virtual"

Persegue-me a ideia de que a comunicação/divulgação através de suportes virtuais tem crescentemente vindo a perder peso. Esta ideia é pouco mais que uma sensação. Não possuo dados que me permitam sustentar o que afirmo, reconhecendo até alguma dificuldade em saber utilizar as designações corretas para o que pretendo abordar. Para mim e neste caso concreto, comunicação virtual é a que é suportada na internet e utiliza como meios os sítios (site), blogues e as redes sociais (neste caso só o Facebook). A comunicação via correio electrónico já a considero fora deste universo de análise virtual, apesar da sua massificação através da utilização de bases de dados de contactos, a tornar por vezes excessiva e daí pouco apelativa a uma potencial leitura.

Nesta análise pouco mais que sensorial, partilho indicadores atuais da Insignare, relativos aos primeiros sete meses deste ano. São por isso dados muitos atuais. www.insignare.pt recebeu neste período 111 734 visitas, o que dá uma média de 15 962 visitas por mês. Admitindo que certamente muitas das visitas são feitas dentro do horizonte Insignare (colaboradores e alunos), estes valores são mesmo assim interessantes. Digo eu, desconhecendo indicadores de outras entidades semelhantes em dimensão e objetivos. Penso que o sítio só é hoje visitado quando se procura objetivamente uma determinada informação. Daí ser muito importante a qualidade e atualidade da informação institucional disponível e menos interessante o esforço que se despendia na colocação de notícias diversas, numa perspetiva de dar uma imagem de constante dinâmica. Relativamente aos blogues é hoje irrelevante o número de visitantes. São autênticos armazéns de textos, alguns deles muito interessantes, mas que pela sua dimensão e nalguns casos complexidade, são muito pouco lidos. Vivemos um tempo em que se quer absorver o máximo de informação, gastando um mínimo de tempo e de esforço. Quer-se conhecer apenas as generalidades, que alimentam conversas, normalmente inconsequentes porque pouco ou nada estruturadas. Esta rapidez que conduz a uma inteligente ignorância, permite-nos levitar sobre todo o tipo de assuntos, conduzindo-os para aquilo que a cada momento mais nos parece interessar.

O Facebook (FB) pela dimensão que conseguiu atingir merece aqui um parágrafo exclusivo. Analiso apenas os murais da Escola Profissional de Ourém (EPO) e da Escola de Hotelaria de Fátima (EHF). A primeira tem 5 662 gostos, o que projeta 1 448 818 amigos de fãs, com um alcance semanal de 3 603. A maioria das pessoas que gostam da EPO são de Ourém (1 038), seguidas das de Leiria (893), Fátima (545), Lisboa (424), Tomar (134), Coimbra (106) e Torres Novas (90). Interessante verificar a dificuldade de penetração da EPO nos concelhos a sul (Tomar e Torres Novas), o peso significativo de Leiria e a inesperada posição de Lisboa. Em termos de idade o peso mais significativo está entre os 18 e os 24 anos (20%) e em termos de sexo existe uma ligeira supremacia do Feminino (50,2%). Verifica-se aqui alguma dificuldade de atingir o público-alvo de uma escola profissional, que representa apenas cerca de 7% e se situa entre os 15 e os 17 anos de idade. A EHF tem 5 734 gostos, projetando 1 635 651 amigos de fãs, com um alcance semanal de 3 898. Inesperadamente a maioria de quem gosta é de Leiria (967), seguida de Fátima (623), Ourém (547), Lisboa (526), Nazaré (209), Porto (100) e Torres Novas (99). O sexo Masculino demonstra um ligeiro ascendente (50,9%) e em termos etários o cenário é semelhante ao da EPO. Conclui-se a enorme importância das freguesias do concelho de Leiria que fazem fronteira com Ourém, apesar de isso não corresponder diretamente ao número de alunos em frequência, onde concelhos como Porto de Mós e Batalha apresentam um peso significativo. Importa destacar o alcance semanal da informação disponibilizada pelas duas escolas (7 501), não conseguindo aqui aferir o impacto que a mesma provoca. E esta é uma das dúvidas que vamos tentar esclarecer nos próximos meses, procurando toda a informação credível que nos permita estruturar toda uma nova estratégia de comunicação. E as perguntas são muitas: manter o esforço de comunicação nos jornais locais e regionais? Reforçar a intervenção na internet através da utilização crescente do vídeo? Apostar em ações de relações públicas? Investir em eventos? Manter a aposta pontual em outdoors? Reforçar a aproximação à comunidade através de organizações conjuntas? Não fazer nada porque uma Escola comunica por si mesma?

Ou o futuro o dirá?

 

Francisco Vieira
Diretor Executivo da Insignare

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